Familiar

Eu e minha família serviremos ao Senhor

Entre os dias 9 e 15 de agosto a Igreja de todo o Brasil celebra a Semana Nacional da Família (SNF). Este ano está sendo um ano imensamente atípico para nós, devido às consequências da pandemia gerada pela Covid-19 (coronavírus) e, certamente, a forma como celebraremos a semana neste ano também será atípica, pois aqueles belos e maravilhosos encontros, celebrações com participação de grande número de famílias, confraternizações, entre outras ações não poderemos realizar.

Para este ano a Igreja escolheu como tema para a SNF uma frase do livro de Josué: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24,15). Este tema se torna bastante expressivo devido ao contexto em que vivemos, pois nos leva a refletir sobre a vocação da família cristã, que é servir ao Senhor e à sua Igreja e nos ajudará a refletir sobre a forma de como podemos viver esta nossa vocação mesmo que necessitemos de manter as restrições sanitárias que nos impedem de formar uma comunhão de presença mais alongada, coisa que fazemos costumeiramente pela nossa participação ativa em celebrações, retiros, encontros, etc.

Os textos que nos são propostos para refletir nesta SNF pelo subsídio Hora da Família (que pode ser adquirido na loja virtual da Pastoral Familiar (www.pastoralfamiliar.commercesuite.com.br) nos ajudarão a compreender o sentido libertador do serviço, pois nos farão entender que quanto mais formos submissos a Deus, mais livres nós seremos. É muito importante que compreendamos a profundidade desta verdade, pois somente assim seremos capazes de servir de verdade a quem de nós precisar. É nesta perspectiva que compreendemos o sacrifício de Cristo na Cruz, Ele viveu em perfeita harmonia e submissão ao Pai e, portanto, plenamente livre. Deus nos concedeu o Espírito de seu Filho, que, em nós, clama Abbá (Pai). “Se nos guiarmos por esse mesmo Espírito, serviremos a Deus como filhos e não como escravos. Já não és escravo, mas filho” (Gl 4,7). Quando Jesus, o Filho por excelência (que tem a mesma natureza divina do Pai celeste) foi tentado pelo diabo, que lhe ofereceu a posse de todos os reinos do mundo se o adorasse, Jesus respondeu dizendo: “Ao Senhor teu Deus adorarás e somente a Ele servirás” (Mt 4,10). O serviço a Deus é um ato de amor filial e libertador” (D. Wilson Angotti, bispo de Taubaté).

A expressão de Josué, “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24,15), delineou para ele e para a sua casa um compromisso de serviço a Deus por uma conduta inteiramente voltada ao cumprimento da vontade d’Ele. Vivendo assim, Josué e sua casa prestam um verdadeiro culto a Deus. “O que o Senhor prefere? Que lhe ofereçam holocaustos e sacrifícios, ou que obedeçam à sua palavra? Obedecer vale mais do que oferecer sacrifícios. Ser dócil é mais importante do que a gordura de carneiros oferecida nos sacrifícios” (1Sm 15,22). Compreendendo o que Josué e sua casa fizeram, com certeza compreenderemos que viver nossa fé em casa, servido aos que nós amamos, sacrificando nossa convivência social com outras famílias, sacrificando momentos de confraternização e alegria com nossos amigos, entre tantas outras coisas que amamos fazer e que são imensamente saudáveis, é a forma com que podemos servir a Deus em um contexto de pandemia como é o que hoje vivemos.

Quando falamos de culto perfeito e agradável a Deus certamente estamos falando da oferta do sacrifício de Jesus Cristo, que obediente, entregou a sua vida por amor de cada um de nós. Isso fazemos cada vez que celebramos o sacrifício da missa, na Celebração Eucarística atualizamos esta entrega de Cristo. Ao instituir a Ceia Jesus deixou para os seus um testamento, quando ao lavar os pés de seus discípulos disse-lhes: “Eu vos dei o exemplo para que como eu fiz vós façais também” (Jo.13,15). “Portanto, obedecer ao Pai e viver ou entregar a vida pelos outros é o que o Senhor espera de nós, seus discípulos. Aqui temos uma importante indicação às famílias cristãs: devemos servir a Deus pela obediência, por uma vida que seja conforme à Sua vontade, seguindo assim o exemplo de Jesus, que foi obediente ao Pai e dedicou a vida pelos irmãos. Nas famílias cristãs, ainda no colo dos pais, os filhos devem aprender a fazer a vontade de Deus. Só poderemos fazer o que o outro quer se nos dispusermos a ouvir e a dar atenção ao que o outro tem a nos dizer. Assim também só poderemos fazer a vontade de Deus dando atenção e procurando conhecer, por meio de sua Palavra, o que Ele quer de nós. É no seio da família cristã que temos que aprender a amar e servir a Deus” (D. Wilson Angotti).

É no seio de nossas famílias que formamos discípulos e discípulas, servidores e servidoras de Jesus Cristo e construtores de seu Reino. É função da família ensinar aos seus tudo o que Jesus nos ensinou (cf Mt 28,19) ajudando-os a entender que o caminho da felicidade e da realização é o caminho do serviço, que a alegria verdadeira só se pode conquistar servindo ao Senhor, atendendo tudo aquilo que Ele nos pediu. Portanto, anunciar a Palavra, ensinar o que aprendemos do Senhor, ministrar catequese, realizar a leitura orante da Bíblia, transmitir a fé aos filhos, etc., constitui-se como serviço ao Senhor. “Atualmente, as ocupações da vida, o desejo de conquistar objetivos pessoais, a busca em saciar nossas necessidades materiais, facilmente, podem nos levar a viver movidos pelos nossos próprios interesses e a menosprezar o serviço ao Senhor. Por isso, Jesus faz um sério alerta aos seus discípulos: “Ninguém pode servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24), ou seja, servir a Deus e aos seus próprios interesses. Não permitamos que esse “rival” se interponha entre Deus e nós, distanciando-nos de servi-Lo como convém. Em síntese, “servir a Deus” significa participar e manter o culto, obedecer ao que o Senhor nos pede, sobretudo no amor a Deus e ao próximo, anunciar e ensinar a outros tudo o que do Senhor nós aprendemos. Assim agindo, cada cristão, consciente e decididamente, poderá reafirmar: Eu e minha família serviremos ao senhor” (D. Wilson Angotti).

Convidamos a todos a empenharem-se para viver esta SNF com muito fervor, mesmo que não seja do jeito que queríamos, mas que ela seja vivenciada do jeito que gostamos, com muito amor e dedicação, servindo a Deus em tudo. Que a Sagrada Família de Nazaré interceda a Deus por todas as famílias.

 

Pe. Nelton Hemkemeier

Assessor diocesano da Pastoral Familiar

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